Finjo, finjo não olhar. Finjo, não desmoronar. Mas dentro de mim, há um montante de caquinhos empilhados. No próximo vento, você terá que varrer-me daqui, meu amor.
Eu já fui porcelana, a mais linda de todas em sua opinião.
Sinto-me aquela xícara cheia de fissuras do tempo, onde o café penetrou e manchou. Aquela peça gasta, velha. Era linda quando a trouxe pra casa, hoje em dia, está assim.
Sei que em varias vitrines, existem umas xicarazinhas liiiiindas, novinhas, lisinhas e com estampas moderninhas. E sei que você está morrendo por dentro, cansado do mesmo gosto amargo do café que a velha xícara te proporciona.
Até o dia que entra na loja e leva aquela novinha.
Pensa: "vou alternar com a velhinha pra não desperdiçar!"
Coitada da velhinha, percebe tudo e ficá-la, estática, quieta. Esperando o dia em que você lembrará do amargo café e o desejará.
Ficarei lá, esperando com o sabor amargo e as ranhuras, pelo doce alento que seus lábios são.
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